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Meditar
consiste em aquietar o corpo e a mente, e em parar de prestar
atenção ao mundo exterior, a fim de que possamos nos unir a Deus
no silêncio de nosso santuário interior. A meditação actua
favoravelmente no plano físico, relaxando o corpo; no plano
mental, acalmando os pensamentos e as ansiedades; e no plano
espiritual, renovando a energia vital e estimulando nossos
atributos divinos. Isto nos permite levar uma existência mais
útil, melhorar as relações com as pessoas que nos rodeiam e
enfrentar com ânimo renovado as dificuldades que se apresentam. Ao
dedicar a cada dia alguns momentos para liberar a mente das
múltiplas preocupações que a assaltam, vamos recobrando a plena
consciência de nossa essência divina.
Podemos dizer que orar é dirigir-nos a Deus e falar com ele,
enquanto que meditar significa escutar a Deus, deixando-nos
instruir e guiar pela parte de nosso ser que se acha em constante
comunhão com o Infinito.
Edgar Cayce
O que é Meditação? (Osho)
Meditação é aventura, a maior aventura que a mente humana pode
empreender.
Meditação é simplesmente ser, sem fazer nada - nenhuma acção,
nenhum pensamento, nenhuma emoção. Você apenas é, e é puro prazer.
De onde vem esse profundo prazer, quando você não está fazendo
nada? Não vem de lugar nenhum, ou vem de toda parte.
Ele é não-motivado, porque a existência é feita de uma matéria
chamada alegria.
Quando você não está fazendo absolutamente nada - corporalmente,
mentalmente, em nenhum nível - quando toda a actividade cessou e
você simplesmente é, apenas sendo, isso é meditação. Você não pode
fazê-la, você não pode praticá-la: você tem apenas que
compreendê-la.
Sempre que você encontrar tempo para apenas ser, abandone todo o
fazer.
Pensar também é um fazer, concentração também é um fazer,
contemplação também é um fazer. Mesmo que apenas por um único
momento você fique sem fazer nada, simplesmente permanecendo no
seu centro, totalmente relaxado - isso é meditação. E uma vez que
você tenha descoberto o jeito, você pode permanecer nesse estado
tanto tempo quanto quiser; finalmente você poderá permanecer nesse
estado durante as vinte e quatro horas do dia.
Uma vez que você se tomou consciente de como seu ser pode
permanecer imperturbado, então, vagarosamente, você pode começar a
fazer coisas, mantendo-se alerta para que seu ser não se agite.
Essa é a segunda parte da meditação - primeiro, aprender
simplesmente a ser, e então aprender pequenas ações: limpar o
chão, tomar um banho, mas permanecendo centrado. Então você poderá
fazer coisas mais complicadas.
Por exemplo, eu estou falando com você, mas a minha meditação não
é perturbada. Eu posso continuar falando, mas lá no meu centro não
há nem sequer uma pequena ondulação; ele está absolutamente
silencioso, completamente silencioso. Assim, a meditação não é
contra a ação. Não é que você tenha que escapar da vida. Ela
simplesmente lhe ensina uma nova maneira de vida: você se toma o
centro do ciclone. A sua vida continua, continua de uma maneira
muito mais intensa - com mais alegria, com mais claridade, mais
visão, mais criatividade - todavia você está distanciado, apenas
um observador nas colinas, simplesmente assistindo o que está
acontecendo ao seu redor.
Você não é o que faz, você é o observador. Esse é todo o segredo
da meditação, você se toma o observador. O fazer continua em seu
próprio nível, não há nenhum problema: cortar madeira, tirar água
do poço. Você pode fazer coisas pequenas e coisas grandes; só uma
coisa não é permitida, e isso significa: seu centramento não pode
se perder. Essa consciência, esse estado de observação deve
permanecer absolutamente desanuviado, imperturbado. No judaísmo há
uma escola de mistério rebelde chamada hassidismo. Seu fundador,
Baal Shen, foi um ser raro. No meio da noite ele estava voltando
do rio - essa era sua rotina, porque no rio, à noite, tudo era
absolutamente calmo e tranquilo. E ele costumava simplesmente
sentar-se lá, fazendo nada - apenas observando seu próprio eu,
observando o observador. Nessa noite, quando estava voltando, ele
passou pela casa de um homem rico e o vigia estava lá em pé perto
da porta.
E o vigia estava intrigado, porque toda noite, exactamente àquela
hora, esse homem estava voltando. Ele saiu e disse: “Desculpe-me
interrompê-lo, mas não consigo mais conter a minha curiosidade.
Você me persegue dia e noite, todos os dias. Qual é a sua
ocupação? Por que você vai ao rio? Muitas vezes eu o segui e não
há nada - você simplesmente senta-se lá, por horas, e no meio da
noite você volta.”
Baal Shem disse: “Eu sei que você me seguiu muitas vezes, porque a
noite é tão silenciosa, que eu posso ouvir seus passos. E eu sei
que todo dia você está escondido atrás do portão. Mas não é apenas
você que está curioso a meu respeito; eu também estou curioso a
respeito de você.
Qual, é a sua ocupação?”
Ele disse. “Minha ocupação? Eu sou um simples vigia.”
Baal Shem disse: “Meu Deus, você me deu a palavra-chave. Esta é a
minha ocupação também!”
O vigia disse: “Mas eu não compreendo. Se você é um vigia, você
deveria estar vigiando alguma casa, algum palácio. O que você está
vigiando lá, sentado na areia?
Baal Shem disse: “Há uma pequena diferença - você está alerta em
relação a alguém do lado de fora que poderia entrar no palácio; eu
simplesmente observo este observador.
Quem é este observador? Este é o espaço de toda a minha vida; eu
observo a mim mesmo.”
O
vigia disse: “Mas essa é uma ocupação estranha. Quem é que vai lhe
pagar?”
Ele disse: “É uma bênção tão grande, uma tal alegria, uma
bem-aventurança tão imensa, que isso se paga a si mesmo em
profundidade. Apenas um único momento, e todos os tesouros não são
nada em comparação a ele”
O
vigia disse: Isso é estranho. Eu tenho estado observando durante
toda a minha vida. Eu nunca me deparei com uma experiência tão
bonita. Amanhã à noite eu irei com você. Você apenas me ensina.
Porque eu sei como observar - parece que apenas é necessário uma
direcção diferente: você está observando numa direcção diferente.”
Há apenas um passo, e este passo é de direcção, de dimensão. Ou
podemos estar focados no exterior, ou podemos fechar os olhos para
o exterior e deixar toda a nossa consciência ficar centrada para
dentro.- e você saberá, porque você é um conhecedor, você é
consciência. Você nunca a perdeu. Você simplesmente deixou sua
consciência se emaranhar em mil e uma coisas. Retire sua
consciência de todos os lugares e apenas deixe-a descansar dentro
de você, e você chegou em casa.
O
âmago essencial, o espírito da meditação, é aprender como
testemunhar.
A gralha cantando… você está ouvindo. São dois elementos: objecto
e sujeito. Mas você não pode ver uma testemunha que está vendo
ambos? - A gralha, o ouvinte, e ainda há alguém que está
observando ambos. É um fenómeno tão simples!
Você está vendo uma árvore: você está aí, a árvore está aí, mas
será que você não pode encontrar alguma coisa mais? - que você
está vendo a árvore e que há uma testemunha em você que está vendo
você vendo a árvore.
Observação é meditação. O que você observa é irrelevante. Você
pode observar as árvores, pode observar o rio, pode observar as
nuvens, pode observar as crianças brincando. Observação é
meditação. O que você observa não é a questão; o objecto não é a
questão.
A qualidade da observação, a qualidade de estar consciente, alerta
- é isso o que é meditação.
Lembre-se de uma coisa: meditação significa consciência. O que
quer que você faça com consciência é meditação. A acção não é a
questão, mas a qualidade que você traz para a acção. O caminhar
pode ser uma meditação, se você caminha alerta. Sentar-se pode ser
uma meditação, se você senta-se alerta. Ouvir os pássaros pode ser
uma meditação, se você ouve com consciência. Simplesmente ouvir o
barulho interior da sua mente pode ser uma meditação, se você
permanece alerta e observador.
A
questão toda se resume em não mover-se adormecido. Então o que
quer que você faça é meditação.
O primeiro passo para a consciência é tomar-se muito atento ao seu
corpo. Pouco a pouco, a pessoa vai se tomando alerta para cada
gesto, cada movimento. E, à medida que você vai se tomando
consciente, um milagre começa a acontecer: muitas coisas que você
costumava fazer antes, simplesmente desaparecem; seu corpo se
torna mais relaxado, seu corpo se torna mais harmonizado. Uma paz
profunda começa a prevalecer até mesmo no seu corpo, uma música
subtil pulsa em seu corpo.
Então, comece a se tomar consciente de seus pensamentos; o mesmo
tem que ser feito com os pensamentos. Eles são mais subtis do que
o corpo e, naturalmente, mais perigosos também. E quando você se
toma consciente de seus pensamentos, você fica surpreso com o que
se passa dentro de você.
Se você anotar o que quer que passe em sua mente em qualquer
momento, você nem pode imaginar que grande surpresa o espera. Você
não acreditará que tudo isso está se passando dentro de você. E
depois de dez minutos leia - você verá a mente louca que existe
dentro de você! Porque você não está alerta, toda esta loucura
continua movendo-se como uma corrente subterrânea. Ela afecta o
que quer que você esteja fazendo, afecta o que quer que você não
esteja fazendo; afecta tudo. E a soma total vai ser a sua vida!.
Assim sendo, esse homem louco tem que ser transformado. E o
milagre da consciência é que você não precisa fazer nada excepto
apenas tomar-se alerta.
O
próprio fenómeno de observar a mente, a transforma. Pouco a pouco
o homem louco desaparece, pouco a pouco os pensamentos começam a
cair em um certo padrão; seu caos não existe mais, eles se tomam
mais como um cosmo. E então, novamente, prevalece uma profunda
paz. E quando seu corpo e sua mente estiverem em paz, você verá
que eles estão sintonizados um com o outro, há uma ponte. Agora
eles não se movem em direcções diferentes, eles não estão
galopando em cavalos diferentes.
Pela primeira vez há acordo, e esse acordo ajuda tremendamente a
trabalhar o terceiro passo que é tomar-se consciente dos seus
sentimentos, emoções, humores. Esta é a camada mais subtil e a
mais difícil, mas se você pode estar consciente dos pensamentos,
então basta apenas mais um passo. Uma consciência um pouco mais
intensa é necessária e você começa a reflectir seus humores, suas
emoções, seus sentimentos. Uma vez que você ganhou consciência em
todos esses três passos, eles se juntam todos em um fenómeno. E
quando todos esses três são um - funcionando juntos perfeitamente,
zunindo juntos, você pode sentir a música de todos os três; eles
se tomam uma orquestra - então o quarto, aquilo que você não pode
fazer, acontece. Acontece por sua própria conta. E um presente do
todo, é uma recompensa para aqueles que passaram por estes três.
E
o quarto é a consciência definitiva, que o toma a pessoa acordada.
Ela toma-se consciente da própria consciência - este é o quarto.
Este cria um buda, o acordado. E somente neste acordar é que se
vem a conhecer o que é o êxtase. O corpo conhece o prazer, a mente
conhece a felicidade, o coração conhece a alegria, o quarto
conhece o êxtase. O êxtase é o objectivo do sannyas, de se tomar
um buscador, e a consciência é o caminho para ele.
A coisa importante é que você seja observador, que você não tenha
se esquecido de observar que você está observando … observando ….
observando. E pouco a pouco, à medida que o observador se toma
mais e mais sólido, estável, seguro, uma transformação acontece.
As coisas que você esteve observando desaparecem. Pela primeira
vez, o próprio vigia se toma o vigiado, o próprio observador se
toma o observado. Você chegou em casa.
Osho
(Extraído do cap. 1 do livro Meditação, a Primeira e Última
Liberdade)
Para qualquer outra questão sobre este texto,
pode-nos escrever para o e-mail
sergio@reikiessencial.com e darei mais
explicações ou retirarei duvidas.
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