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“Desta vez,
gostaria de vos falar sobre os Princípios do Reiki. Em tempos,
foram o aspecto mais importante da prática do Reiki no Japão e são
ainda vistos, hoje em dia, como a peça principal do Reiki na
tradição Japonesa. No início da minha prática de Reiki,
desvalorizava-os bastante, mas agora, penso neles diariamente. E
espero que tu também faças o mesmo.
As palavras de
Usui sobre os Princípios
Na entrevista que Usui deu aos seus alunos, juntamente com o
material dos seus ensinamentos, ele disse que, primeiro, temos de
curar o aspecto mente/espírito antes de o corpo poder ser curado
com sucesso. Dizia isso, porque descobriu que os seus clientes
regressavam, depois de terem sido curados, com o mesmo problema,
ou similar.
Para resolver este problema, surgiram os Princípios do Reiki. Na
cultura Japonesa era e ainda é comum ter uma base ética para uma
tradição espiritual. Nas artes marciais e outras artes
tradicionais do Japão são dados ao aluno tópicos, para que ele
possa levar uma vida de felicidade. E era isto que o Sensei Usui
pensava do Reiki. Ele chamava-lhe “A arte secreta de convidar a
felicidade – o medicamento espiritual para todas as doenças” (do
corpo, mente e espírito).
Obstáculos no
Caminho
Mas há obstáculos no caminho para a felicidade e que surgem quando
tentamos atingir o nosso objectivo. Nas palavras do Sensei Usui,
uma pessoa que é transformada pelo Reiki é uma pessoa cuja mente
se tornou como “Buddha”. Tu e eu sabemos que ainda estamos longe
disso, mesmo apesar de termos experienciado um ou outro vislumbre
do divino pela graça de deus. Há sempre trabalho a fazer…
Os Princípios do Reiki ajudam-nos a abrir cada vez mais, em amor e
compaixão. Ajudam-nos a largar a prisão da mente pequena – o ego,
individualidade ou personalidade: uma grande tarefa!
A orientação de
Chiyoko Yamaguchi

A minha professora, Chiyoko Yamaguchi disse-me, uma vez, o que
pensava dos Princípios do Reiki: ela disse que devemos
incorporá-los na nossa vida, que devemos respirá-los, vivê-los,
incorporá-los com todo o nosso coração. Ela disse que os primeiros
quatro são para o teu próprio trabalho interior. O último, disse
ela, é o mais importante de todos. E brota em nós, quando os
quatro primeiros são integrados.
Um dia, em 1999, compreendi que os princípios têm um carácter
mântrico, quando são pronunciados em Japonês. O Sensei Usui
sugeriu que os disséssemos uma ou duas vezes por dia e que
sentíssemos o seu significado no nosso coração enquanto os
dizemos. Quando traduzidos, para Inglês ou para qualquer outra
língua, perdem o seu poder. Um Mantra é uma palavra ou uma frase
imbuída de um princípio espiritual. É uma palavra ou frase que tem
uma alma e esta alma toca a alma da pessoa que os recita. Quando a
alma é tocada, a cura verdadeira pode acontecer …
Sei que já leste ou praticaste os Princípios do Reiki em Japonês,
mas quero convidar-te a fazê-lo todos os dias, para o fazeres
agora… enquanto lês estas linhas.
Os Cinco
Princípios do Reiki (em Japonês “Gokai”)
Kyo dake wa
Ikaru na
Shinpai suna
Kansha shite
Goo o hage me
Hito ni shinsetsu ni
A tradução
destes Cinco Princípios é muito clara e simples. A primeira frase
“Kyo dake wa” significa “só por hoje” ou “só hoje”.
O meu professor espiritual Osho costumava dizer “amanhã nunca
chega” e é assim que “kyo dake wa” é para ser compreendido.
Significa, fica no Agora, fica aqui e larga todos os sonhos do
futuro e as memórias do passado. Fica aqui e entras naquilo que o
Sensei Usui procurou no Monte Kurama; entras no Anjin Ryumei, um
estado interior de contentamento, aconteça o que acontecer fora e
dentro de ti … agora …
Kyo dake wa.
Ikaru Na
O primeiro princípio “Ikaru Na” significa não te zangues. Isto não
quer dizer que nunca mais te zangues. Às vezes, a zanga é a única
reacção apropriada. Pode ser boa para ti e pode realmente ser boa
para a pessoa a quem a zanga é direccionada. Às vezes, o outro
precisa de ser abanado para sair da sua inconsciência. Às vezes, é
bom para ti veres que ainda és tão humano e neurótico como sempre
foste; assim, não faças um mau julgamento do teu estado de
espírito – mesmo que isso possa doer. A palavra “ikaru” tem um
carácter explosivo.
Porém, não permaneças nesse estado de explosividade. Uma outra
face da zanga é que ela pode ser tristeza disfarçada. Então, em
vez de tentares gerir a zanga, observa a tristeza no teu coração.
Toma conhecimento dela, encara-a e sente-a. Chora pelas perdas que
tiveste, chora pelos teus seres amados que perdeste sem tentar
fazer desaparecer a dor. E verás que a zanga desaparece sozinha …
Shinpai Suna
A preocupação é uma das substâncias mais tóxicas para o corpo,
mente e alma, juntamente com o medo e a culpa. Muitas vezes,
actuam como irmãos e aparecem juntos, tornando a tua vida difícil.
Mas tu não estás à mercê da preocupação. Se tu entenderes que a
não preocupação é pessoal, entendes que é uma doença colectiva
(Nota da Tradutora: em
Inglês, Frank escreve “doença” desta maneira: “dis-ease” – “tornar
as coisas mais difíceis”). Se uma preocupação não
é “tua”, talvez numa próxima vez que ela venha ter contigo, possas
vê-la de fora. Olha para ela como se ela não fizesse parte da ti,
pessoalmente, e vais ver, de repente, que tens uma opção: ou
energizas a preocupação com a tua participação activa ou não. Se
não participares nela, vê-la e deixa-la ir. Ela acabará por ficar
sem combustível e depois de continuar durante um momento, chegará
a parar completamente. E se não houver uma bomba de gasolina por
perto, a preocupação morre de fome – até que a próxima preocupação
venha ter contigo. A mesma dinâmica se aplica ao pensamento.
Observa-o e ele acabará por ir embora…
Não te preocupares não vai necessariamente afastar os teus
desafios, mas serás capaz de lidar com eles, de forma mais eficaz
– com menos sofrimento e mais alegria. E talvez a vida possa ser
divertida! Ops!!
Kansha Shite
Este é o meu favorito: sê grato. Repara que nos é pedido que
sejamos gratos por nada em especial. A nossa gratidão não deve ter
nenhum atributo ligado a ela. Simplesmente, sê grato por tudo o
que a vida te dá. Convido-te a fazer isto agora. Sente a gratidão.
Sê grato … sente-a no teu peito. Deixa-a tombar sobre ti como
néctar do paraíso…Sê gratidão e o teu coração vai transbordar de
uma doçura que te vai impregnar a ti e tudo o que está à tua
volta.
Gyo o Hage Me
Esta frase pode ser traduzida como “trabalha muito” ou “faz os
teus deveres”. Para sermos capazes de entender isto correctamente,
será de grande ajuda conhecermos o background cultural da
sociedade Japonesa. A sociedade Japonesa está estruturada num
sistema altamente hierárquico. Na hierarquia, os empregos são
distribuídos dependendo do estatuto social do indivíduo. A
sociedade assim é tipicamente asiática: é colectiva, mais do que
individual. Para que o grupo sobreviva, o indivíduo pode
sacrificar-se, sem vacilar. Então, numa sociedade assim, uma
pessoa faz o seu trabalho, o seu dever sem se queixar disso. É uma
coisa que vem com o papel social e o papel és tu, tu és o dever…
Tal como aparece no anúncio da Nike “Just do it”. Provavelmente,
sair-nos-íamos muito melhor muitas das vezes se seguíssemos esta
regra, aparentemente simples. É só pôr o lixo lá fora…
Hito Ni
Shinsetsu Ni
A Senhora Yamaguchi chamava ao último Princípio, o culminar do teu
trabalho interior. Uma vez integrados na tua vida os quatro
primeiros, nada mais há a fazer senão pôr o que aprendeste em
acção. Então, Reiki é compaixão, em acção… Nas palavras do Sensei
Usui: “Quando encontrares a felicidade (vivendo os Princípios do
Reiki), a tua mente torna-se como Buddha e com este espírito,
tocas o espírito do outro, transformando-o.
Texto de Frank
Arjava Petter
Tradução: Oficina Natural 2006 |