
Muitos de nós parecemos ter uma ideia errada acerca da natureza da
doença. Nada na vida é permanente. Num dia o céu está limpo, no
outro há nuvens. A felicidade e a infelicidade perseguem-se pela
vida e perseguem cada um de nós; a escuridão torna-se luz e a luz
torna-se escuridão. Isto é verdade a vários níveis. Não se pode
congelar um dado momento, uma condição, um sentimento, um
pensamento ou mesmo a ausência dele. Se tentares, destróis a vida
na sua totalidade. A doença e a saúde fazem parte do mesmo pacote
da vida, são as duas faces da moeda. Se deitares fora um dos
lados, perdes os dois …
Mais perigoso do que qualquer doença são os nossos conceitos
mentais, os nossos julgamentos, o nosso desejo da felicidade e
evitar o sofrimento. Mas a felicidade e o sofrimento são estados
mentais. Uma pessoa pode estar feliz estando doente, ou infeliz e
saudável. Então, todos nós podemos alimentar a nossa atitude
interior de gratidão: lembra-te do terceiro princípio do Reiki –
“Kansha Shite” (em Japonês) – Sou grato!
Quando pensamos em doenças, traz-nos à mente certas memórias do
passado. Essas memórias podem ser nossas ou de outrem. Essas
memórias formam teorias e conceitos na tua mente. E com essas
teorias condicionas o teu ser. A maior parte desses
condicionamentos nada têm a ver com a realidade; podem nascer de
uma concepção social, cultural e religiosa errada que já tem
milhares de anos; podem nascer de algo que já foi verdade, mas que
já não é; podem nascer da ética moral da nossa sociedade ou do
nosso grupo étnico; podem nascer da filosofia da tua família ou do
teu círculo de amigos.
Também no Reiki, nós, como grupo, temos de ser cuidadosos para não
criarmos novas crenças que nos impeçam de acarinhar a vida na sua
totalidade. Olhemos agora para os maiores condicionamentos que
podemos ter em relação à doença. O conceito mais comum que
encontrei pelo mundo é que a doença é um castigo divino. Fiz
qualquer coisa errada e portanto, estou doente. Esta crença é
triste e tens de a abandonar rapidamente: faz isso agora… neste
momento! Diz-lhe adeus! O divino quer que tu sejas saudável e
íntegro! Íntegro e saudável é aquele que vive de acordo com o que
está a acontecer agora – seja o que for: azares, dificuldades
financeiras e até mesmo a doença! Outro conceito é que as coisas
acontecem por alguma razão: tens um furo num pneu e pensas que
tiveste o furo para evitar que tivesses um acidente uns
quilómetros mais abaixo! Graças a Deus, a existência salvou-te! O
facto é que … nada TE aconteceu – tu não és importante! As coisas
acontecem, simplesmente. A vida não precisa de razões…
As
muitas facetas da doença
A
doença nunca é, exclusivamente, o resultado de um único factor.
Cada doença é um puzzle de um milhão de peças. O meio ambiente, a
psique, a comida que comes, o teu karma (seja ele qual for), as
pessoas com quem estás, os pensamentos e as emoções que tens, o
trabalho que fazes, o sítio onde moras – tudo tem um papel na
doença. Para ter uma certa doença, o teu corpo tem de ter primeiro
uma afinidade genética com ela. A afinidade é o primeiro
pré-requisito para a doença. Uma pessoa que não tem tendência para
cancro do pulmão poderá eventualmente fumar a vida inteira que nem
uma chaminé e viver até aos 120 anos!
Uma vez que o pré-requisito é dado, o corpo pode reagir
física/mentalmente ao ser atingido no seu ponto mais fraco. Mas
não podemos dizer que apenas um factor torna o corpo doente. Dizer
que uma pessoa está a perder a visão porque não quer ver, é
simplesmente ridículo. Todos nós temos coisas que não queremos ver
– tudo bem! – mas não é isso que vai adoecer o nosso corpo. Mesmo
que isso fosse verdade ( e há casos em que sim) não promove a cura
dizendo-o, porque esta teoria promove a culpa na pessoa. E a culpa
é o pior veneno que há!
A
doença e a alma
Temos de fazer a distinção entre todos os níveis da existência:
corpo, mente e alma. O corpo e a mente podem estar doentes, mas a
alma está para além da doença. A alma é sempre inteira, está para
lá dos nossos conceitos e filosofias. Com a palavra “alma”, eu não
me estou a referir à “alma individual”. Eu vejo Alma como algo de
muito maior do que a chama individual; vejo um fogo que consome
tudo. É mais colectivo do que pessoal. Não é a Alma que está em
nós, mas nós é que estamos na Alma, como um peixe a nadar no
oceano. O praticante imortal de Reiki Um conceito estranho que
criámos para o nosso grupo – o grupo de praticantes de Reiki – é o
de que um praticante de Reiki não adoece. Lembras-te do que
aconteceu ao próprio Mikao Usui? A vida dele foi muito curta
segundo os nossos padrões; ele viveu até aos 60 anos, de 15 de
Agosto de 1865 a 9 de Março de 1926.O Reiki não é garantia de que
tu vais permanecer saudável. Nós não sabemos o que as estrelas têm
para nós e nada pode mudar o nosso destino – nem mesmo 10 horas de
Reiki por dia. Uma das minhas frases favoritas é a de um Guru
indiano que eu adoro e respeito muito, chamado Meher Baba. Ele
disse: “A doença não mata as pessoas, a morte é que mata.”Sabemos
que ter uma vida espiritual não é necessariamente um bilhete para
a saúde. Alguns dos grandes mestres espirituais mundiais
batalharam uma vida inteira contra uma doença muito comum. Tiveram
cancro, doenças cardíacas, hemorragias cerebrais, AVCs, asma,
diabetes e por aí fora. Se te encontrares com uma doença grave,
começa por te debruçares sobre ela, e depois promoves a cura a
todos os níveis possíveis. Os caminhos do Reiki são misteriosos:
nós não sabemos a que níveis a cura acontece.
Ciência esotérica e doença
Muitos livros e numerosos professores de Reiki falam acerca da
relação corpo/mente e alma como se a compreendessem. Eu não sou
tão afortunado. A vida é um mistério para mim e não faço a mínima
ideia de como ela funciona. Basta olhares para o céu numa noite
clara e … sabes do que estou a falar: somos tão pequenos e
insignificantes…Sugiro que, a menos que realmente saibamos do que
estamos a falar, não falemos acerca do assunto. O mesmo se aplica
aos chakras, corpos etéricos ou o conceito de doenças kármicas.
Tem estas teorias em consideração, fica aberto a elas, mas não
cries conceitos mentais. Nós nem sequer sabemos o que nos está a
acontecer hoje e qual é o efeito que a nossa vida presente tem em
nós. Fica com aquilo que sabes.
O
que podes fazer para ficares saudável
O
mais importante é a tua atitude interior. Alimenta um estado de
gratidão com tudo o que encontrares. Age apenas de forma a
sentires orgulho em ti, sempre que olhares para trás. Observa os
teus pensamentos e emoções e fica apenas com os que forem
saudáveis. Pára quando perceberes que estás a entrar num padrão de
emoções e pensamentos destrutivos.
Cuida do teu corpo sem criares tensões com o teu regime diário. Se
o exercício e uma dieta rigorosos forem demasiado stressantes, não
trarão benefícios. Se te sentires atraído por uma dieta
vegetariana, isso pode ajudar-te a seres mais saudável. Mas isto
não funciona para toda a gente: se o teu corpo pede carne e peixe,
ouve a sabedoria do teu corpo. O teu corpo sabe o que é melhor
para ti! Tens apenas de aprender a distinguir entre a sabedoria do
corpo e os desejos da mente. Se te apetecer comer só chocolate,
então é porque algo de estranho se passa…Se beberes bebidas
alcoólicas, chá e café moderadamente ou se fumares também
moderadamente, fá-lo conscientemente e com prazer. Prazer é uma
palavra chave na saúde mental, física e emocional.
Todos precisamos de ajuda para relaxar. Para alguns de nós, o
relaxamento surge na forma de um copo de vinho ou de um cigarro
ocasional; para outros, relaxamento é dar uns murros num saco de
areia! Descobre o que te faz relaxar e depois considera os prós e
os contras…
A
linguagem do stress
Aprende a ouvir os sinais mais ou menos subtis que o teu corpo e a
tua mente te dão. Percebes quando estás cansado, quando parece que
não dormiste o suficiente, quando estás inquieto ou irritado?
Sentes-te enérgico, fresco e feliz? Como é o teu padrão
respiratório? Recebes ar suficiente, alimento suficiente? Respiras
fundo? Trabalhas demais? A maior parte dos professores de Reiki
trabalham demais. Como podes cortar com o trabalho? Deve haver uma
maneira de desacelerar, de teres mais tempo para a tua vida
privada e para rejuvenesceres? Os teus hobbies, quais são?
Lembras-te deles?
Recebes tratamentos de Reiki?
Muitos de nós que praticam Reiki parecem adquirir o hábito de
sermos dadores compulsivos. Faz-nos sentir bons e nobres por um
lado, mas desgasta-nos por outro. Estás preparado para receber,
para ser vulnerável e tens necessidade de seres abraçado, tocado e
amado? Este hábito de dar compulsivamente – eu sei bem o que isso
é – é um nó difícil de quebrar. O ano passado, consegui quebrá-lo
organizando um grupo de partilha de Reiki semanal, no qual também
eu me deitei na marquesa: e no início, quanta resistência fiz a
isto! Lembra-te que só podes ajudar os outros quando tu próprio
estiveres cheio de energia! A seguir, olha para a tua vida. Amas-te
o suficiente? Recebes amor suficiente e alimento da tua família,
do teu companheiro/a, do teu trabalho e do teu círculo de amigos?
O que podes fazer para mudar neste sentido?
Vives no sítio certo? Pergunto-me frequentemente o que é que eu
fazia se tivesse um milhão de Euros. Ficaria onde estou? O que é
que eu faria de diferente? Se houver alguma coisa que eu mudasse,
eu vou trabalhar para isso já – antes que o dinheiro entre na
minha vida. Porquê esperares, quando podes ter já?
A
armadilha dos Professores de Reiki
Para aqueles de nós que ensinam Reiki – ou que ensinam qualquer
outra coisa – há uma questão que desempenha um papel muito
importante na tua saúde. Pergunta-te a ti próprio/a se vives
aquilo que ensinas. Ensinas os princípios de Reiki aos teus
alunos? E tu? Segue-los? Integraste-os na tua vida? Ensinas amor
incondicional, a ausência do ego, tranquilidade e meditação. E a
tua vida interior? És tranquilo/a, ausente de ego e meditativo/a?
Ou finges que és alguém ou algo que não és? Pensas que és muito
importante ou és um simples ser? Quando ensinas, não é necessário
criares uma determinada imagem de ti próprio/a. Simplesmente, sê
tu próprio/a e descansa no estado natural…Uma boa maneira de
descobrires com clareza o teu estado interior é verificares se
ages de forma diferente quando estás em casa sozinho/a ou quando
estás numa classe. Os teus movimento são graciosos, tens o mesmo
brilho no olhar? Comes o chocolate que dizes aos teus alunos para
não comerem? Está claro para ti onde estás, o que sabes e o que não
sabes? Neste sentido, o que me ajuda muito é uma coisa muito
simples: quando alguém me pergunta algo que eu não sei responder,
digo “não sei” … E é tão refrescante não saber tudo e sabe tão bem
não saber… E neste “não saber”, encontras um momento de silêncio …ahhh…
Toma alguns minutos e descansa neste momento pacífico que não
contém tensão, preocupação ou problema… É aqui que te podes
encontrar contigo mesmo/a …
Texto de Frank Arjava Petter
Tradução de Paula Pinto com autorização do autor.
Consulte a página de Frank Petter em
www.reikidharma.com |